E voar a sentir o mundo na ponta dos pés
Já perdi conta às vezes em que me despedi do meu AMIGO da Gota de Café. A despedida é quase um ritual, um longo abraço seguido de um: “Tem juízo, não te percas e volta depressa”!
Fico com o coração apertado cada vez que o vejo partir, embora o destino esteja sempre definido o resto é sempre uma grande incógnita e isso preocupa-me. Passa a vida com a casa às costas à procura do seu lugar no mundo, porque se sente um estrangeiro no seu próprio país. Disse-me que desta vez a ausência seria curta, que em breve voltaria para, mais uma vez, partir de novo e explorar um novo continente. Sei que essa sua sede insaciável por algo que nem ele sabe o quê dificilmente encontrará fonte e por isso teremos ainda pela frente muitos mais abraços de despedida, que eu insisto que seja um “até breve”, porque quero sempre que volte depressa.
Ele leva a vida e as relações de uma forma descontraída como se não quisesse saber de nada nem de ninguém, mas às vezes afasta-se do seu papel de durão e pergunta-me: “Se isso correr mal tens plano de backup?”, ou então elogia-me brincando com o meu passado “Desde que te livraste daquele “cancro” estás bem melhor”.
A amizade que nos une tem as suas singularidades e das coisas que mais me fascinam nela é o facto de lhe poder contar tudo, sem tabus, sem preconceitos, sem correr o risco de ser julgada e condenada, não dá sermões e não aponta o dedo. (Eu com ele não sou tão meiguinha, dou-lhe raspanetes e puxões de orelhas, sermões de meia-hora, e depois quando lhe conto que me meti num filme igual ao dele, e que lhe custou um serão a ouvir-me a disparatar, diz-me: “Se é o que queres, força”!) Bem, fascina-me isto e o mimo. É amigo de dar e receber mimos, de madrugas em confissões virginianas, e de um coração de leão… do qual já sinto saudades…
Até breve, volta depressa!
I’ve had to say goodbye more times than I would have liked. But, everyone can say that. And no matter how many times we do it, even when it’s for the greatest good, it still stings. And though we’ll never forget what we’ve given up, we owe it to ourselves to keep moving forward. What we can’t do is to live our lives always afraid of the next goodbye. Because, chances they’re not going to stop.
The trick is to recognize when a goodbye can be a good thing. When it’s a chance to start again. Ugly Betty
