A semana passada foi dia de cinema com a Joana. A ideia inicial era ir à praia, mas não estava nos meus dias e à última da hora troquei as voltas à minha pequena e lá fomos ver o Shrek em 3D.
A minha Joana não me pára de surpreender e a maturidade das suas decisões ou planos de futuro às vezes deixam-me preocupada. Ela leva tudo o que eu digo e faço muito a sério, mesmo muito a sério, vê-me como um exemplo a seguir, mas a verdade é que eu não sou exemplo para ninguém… e quando ela me diz coisas como as que vou contar aqui dão-me uma pontada de medo… um medo miudinho…

A caminho do cinema…
Joana: Sabes uma coisa, Madrinha? Decidi que quando for crescida vou adoptar uma criança.
Eu: Conta lá como é que chegaste a essa decisão?
Joana: Primeiro, porque não quero homens na minha vida, já percebi que só trazem chatices e tornam a nossa vida uma complicação e não estou para isso. Depois porque o parto deve provocar dores insuportáveis e já sabes que eu sou uma mariquinhas quando me dói alguma coisa. Não me imagino a trocar fraldas, porque o cocó dos bebes cheira muito mal, e não suporto ouvir bebés a chorar. Assim, e já que há tantas criancinhas que não têm nem pai nem pai, ou têm mas tratam-nas mal, eu acho que o melhor que tenho a fazer é adoptar.

Fiquei parva com as declarações dela e com o medo miudinho de quem vê uma miniatura de si própria em muitas coisas…
Até ao final do filme não fui capaz de dizer grande coisa, mas depois lá tentei explicar à princesa que aquilo que eu digo e sinto nem sempre é lei. Os homens realmente são uma grande dor de cabeça, mas ainda há uns que se escapam, que o parto deve provocar realmente muitas dores, mas a alegria de sentir uma vida a crescer dentro de nós deve superar isso. Enfim, fiz um esforço para lhe abrir os horizontes e mostrar que não vou ama-la menos se ela tomar opções de vida diferentes das minhas.
Isto de ser madrinha-e-segunda-mãe torna-se a cada dia que passa uma responsabilidade maior e uma graça divina.

X: Quer uma cadeira para a sua filha?
Eu: Não é minha filha, é minha afilhada, mas sim quero, obrigada.
Joana: Não é minha mãe, mas é como se fosse.
X. É que são realmente parecidas, as expressões são iguais…. até os óculos. São a cara uma da outra.
Joana: Toda a gente diz: “És a cara da tua madrinha”! Eu gosto de ser a cara da minha madrinha, ela é linda.

Fiquei com o ego lá no topo, acho até que tiveram que abrir as portas do centro comercial, porque já não havia espaço para ele… E o amor que trago no peito? Cresce a cada dia, ela é o “+” da minha vida, um amor sempre em crescendo capaz de curar tudo.